A cárie é a destruição progressiva da estrutura do dente causada por ácidos produzidos por bactérias da placa a partir de açúcares da alimentação. No início, ela pode ser interrompida e até revertida com flúor e bons hábitos. Quando forma uma cavidade, precisa de tratamento profissional. Como nem sempre causa dor, as consultas de acompanhamento ajudam a identificá-la cedo.

Como a cárie se desenvolve

A boca abriga muitas bactérias, e algumas delas, presentes na placa bacteriana, transformam açúcares e amidos em ácidos. Esses ácidos retiram minerais do esmalte, em um processo chamado desmineralização. Ao longo do dia, os dentes perdem e recuperam minerais o tempo todo: a saliva neutraliza ácidos e devolve cálcio e fosfato, e o flúor ajuda nessa reposição.

O problema surge quando os ataques ácidos são frequentes demais para que a saliva consiga equilibrar. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Odontológica e Craniofacial dos Estados Unidos (NIDCR), uma mancha branca opaca no dente pode ser o primeiro sinal dessa perda de minerais. Nessa fase, a lesão ainda pode ser controlada. Se o processo continua, o esmalte se rompe e forma uma cavidade, que não se recupera sozinha.

Sinais possíveis

A cárie inicial frequentemente não causa sintomas. Por isso, a ausência de dor não significa ausência de cárie. Com a progressão, podem surgir:

  • manchas brancas, marrons ou escuras na superfície do dente;
  • sensibilidade a doces, frio ou calor;
  • buracos visíveis ou comida que fica presa sempre no mesmo lugar;
  • dor ao mastigar;
  • dor espontânea, que aparece sem estímulo ou piora à noite.

Dor intensa, dor que acorda à noite, inchaço na gengiva ou no rosto e febre podem indicar que a cárie atingiu a polpa do dente ou que há infecção. Nesses casos, procure atendimento o quanto antes.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito no consultório, com exame visual cuidadoso dos dentes limpos e secos, instrumentos adequados e boa iluminação. Cáries entre os dentes ou sob restaurações antigas podem não ser visíveis a olho nu, e por isso radiografias podem ser solicitadas.

Além de identificar as lesões, o profissional avalia o risco de novas cáries, considerando alimentação, higiene, uso de flúor, fluxo de saliva e histórico. Essa avaliação ajuda a definir o tratamento e também o intervalo do seu check-up odontológico.

Nem toda mancha escura é uma cárie ativa. Algumas são lesões antigas que estacionaram e apenas precisam ser acompanhadas. Distinguir uma situação da outra é justamente um dos papéis da avaliação profissional, o que evita tanto tratamentos desnecessários quanto atrasos.

Tratamentos conforme a extensão

O tratamento depende do tamanho e da profundidade da lesão e é definido após a avaliação:

  • Lesões iniciais, sem cavidade: podem ser controladas com aplicação profissional de flúor, ajustes na higiene e na alimentação e acompanhamento.
  • Cavidades: o tecido comprometido é removido e o dente é restaurado, geralmente com resina da cor do dente ou outro material indicado.
  • Cáries profundas que atingem a polpa: pode ser necessário o tratamento de canal, seguido da reconstrução do dente.
  • Dentes muito destruídos: quando a restauração não é viável, a extração pode ser considerada, e o espaço pode ser reabilitado depois com implante ou prótese.

Quanto mais cedo a cárie é identificada, maiores as chances de um tratamento mais conservador.

Como reduzir o risco

A prevenção da cárie combina hábitos diários e acompanhamento profissional. O Brasil tem um dos maiores sistemas de fluoretação da água de abastecimento do mundo, e o creme dental com flúor é uma das medidas mais importantes de prevenção recomendadas pelo Ministério da Saúde.

  • Escove os dentes com creme dental com flúor pelo menos duas vezes ao dia, com atenção especial à escovação antes de dormir, quando a produção de saliva diminui.
  • Use fio dental diariamente para alcançar as áreas entre os dentes.
  • Reduza a frequência do açúcar: beliscar doces ou tomar bebidas açucaradas ao longo do dia é mais prejudicial do que consumi-los junto às refeições.
  • Evite comer ou beber algo doce depois da última escovação do dia.
  • Mantenha as consultas de acompanhamento e a limpeza profissional na frequência indicada.

Em crianças, selantes nos dentes posteriores podem ser indicados para proteger sulcos onde a placa se acumula com facilidade. Essa indicação é feita pelo dentista.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um cirurgião-dentista. Cada caso precisa de avaliação individual para definir diagnóstico, indicação e cuidados.

Fontes consultadas: NIDCR — The Tooth Decay Process; Cleveland Clinic — Cavities (Tooth Decay); Ministério da Saúde — Guia de recomendações para o uso de fluoretos no Brasil; Ministério da Saúde — Saúde Bucal.

Perguntas frequentes

Cárie pode desaparecer sozinha?

Uma lesão bem inicial, ainda sem cavidade, pode ser interrompida e remineralizada com flúor, saliva e mudanças de hábito. Depois que a cavidade se forma, o dente não se recupera sozinho e precisa de tratamento profissional.

Se o dente não dói, posso estar com cárie?

Sim. A cárie inicial costuma não causar dor. Por isso as consultas de acompanhamento são importantes mesmo quando não há sintomas.

Cárie é contagiosa?

As bactérias associadas à cárie podem ser transmitidas pela saliva, mas o desenvolvimento da doença depende principalmente da frequência de açúcar, da higiene e do uso de flúor.

Restauração de resina precisa ser trocada?

Restaurações podem desgastar, manchar ou apresentar infiltração com o tempo. O dentista avalia nas consultas de rotina se ela está íntegra ou se precisa de reparo ou substituição.